Val Coelho: novos olhares e antigas paixões em foco

Depois de anos como nutricionista, Val mergulha no universo dos óculos artesanais, pesquisa mestres do ofício e começa a traçar sua própria rota como lunetier.

Entre referências e inspirações

Antes mesmo de pegar numa lima ou esculpir um acetato, mergulhei em pesquisas. Queria entender esse novo mundo, o dos criadores de óculos, os lunetiers, que, para mim, soava quase mítico. Descobri nomes que já admirava de longe: Filipe Diniz, que trouxe o ofício de volta à cena brasileira; Ricardo Lorente, com seu ateliê cheio de ferramentas e paciência; Érida Schaefer, com a delicadeza da @otro.eyewear; e tantos outros que transformam matéria-prima em poesia visual.

Foi curioso perceber como cada um tem um jeito de ver o mesmo objeto. Uns falam de design; outros, de identidade; outros ainda, de liberdade. E, entre todos, reencontrei ecos do que via no meu pai: a calma das mãos, o olhar atento, o prazer de criar algo único. A diferença é que, agora, o cenário não é mais a loja da Lapa, que frequentava quando criança. É um universo inteiro que se abre, feito de acetato italiano, charneiras e histórias.

Este aqui é meu cantinho de criação e produção como lunetier – um ateliê ainda em construção, como o caminho que escolhi seguir. Feliz demais nesse espaço!

Primeiros passos, novas lentes

Quando decidi finalmente me matricular no curso do Ricardo Lorente, achei que seria simples: uma aula por semana, três horas de oficina e pronto. Mas bastou o primeiro dia pra entender que ser lunetier é um exercício de paciência e precisão. E que cada milímetro importa.

Esse meu sorriso, ao lado do mestre Ricardo Lorente, representa a satisfação de já segurar nas mãos os primeiros óculos produzidos por mim – e que foram idealizados para o rosto do meu marido, Dadau.

Aprendi que uma haste nunca é só uma haste. Que a lixa precisa de ritmo, e o calor do soprador muda tudo. Que a charneira tem lado certo. Aliás, charneira é palavra específica desse universo, designa as dobradiças que conectam as hastes à frente da armação. No começo, confesso, achei que não ia dar conta. Mas algo em mim dizia: “Calma, isso também é nutrição – só que da alma”.

Hoje, entre desenhos, ideias e planos, percebo que estou só no início dessa jornada. As mãos ainda aprendem o gesto, os olhos ainda buscam o foco, mas o coração já entendeu o caminho.

Mini-bio

Val Coelho é nutricionista de formação e futura lunetier de coração. Apaixonada por arte, cores e histórias com propósito, descobriu no design de óculos uma nova forma de cuidar – agora, do olhar.
Contatos: @val_coelho_oficial    val@vallunetier.com.br